Reforma No Sacro Império, Suíça e França (I)
No início do século XVI, o
monge alemão Martinho Lutero, abraçando as ideias dos pré-reformadores,
proferiu três sermões contra as indulgências em 1516 e 1517. Em 31 de
outubro de 1517 foram pregadas as 95 Teses na porta da
catedral de Witenberg, com um convite aberto a uma disputa
escolástica sobre elas. Esse fato é considerado como o início da
Reforma Protestante.
Essas teses condenavam a
"avareza e o paganismo" na Igreja, e pediam um debate teológico sobre
o que as indulgências significavam. As 95 Teses foram
logo traduzidas para o alemão e amplamente copiadas e impressas. Após um mês se
haviam espalhado por toda a Europa.
Após diversos acontecimentos, em
junho de 1518 foi aberto um processo por parte da Igreja Romana contra Lutero,
a partir da publicação das suas 95 Teses. Alegava-se, com o exame
do processo, que ele incorria em heresia. Depois disso, em agosto de 1518, o
processo foi alterado para heresia notória. Finalmente, em junho de 1520
reapareceu a ameaça no escrito "Exsurge Domini" e, em janeiro de
1521, a bula "Decet Romanum Pontificem" excomungou Lutero.
Devido a esses acontecimentos, Lutero foi exilado no castelo de Wartburg, em
Eisenach, onde permaneceu por cerca de um ano. Durante esse período de retiro
forçado, Lutero trabalhou na sua tradução da Bíblia para o alemão, da qual
foi impresso o Novo Testamento, em setembro de 1522.
Enquanto isso, em meio ao clero saxônio, aconteceram renúncias ao voto de castidade, ao mesmo tempo em que outros tantos atacavam os votos monásticos. Entre outras coisas, muitos realizaram a troca das formas de adoração e terminaram com as missas, assim como a eliminação das imagens nas igrejas e a ab-rogação do celibato. Ao mesmo tempo em que Lutero escrevia "a todos os cristãos para que se resguardem da insurreição e rebelião". Seu casamento com a ex-monja cisterciense Catarina Von Bora incentivou o casamento de outros padres e freiras que haviam adotado a Reforma.
Com estes e outros atos consumou-se o rompimento
definitivo com a Igreja Romana. Em janeiro de 1521 foi realizada a Dieta
de Worms que teve um papel importante na Reforma, pois nela Lutero foi convocado
para desmentir as suas teses; no entanto, ele defendeu-as e pediu a
reforma. Autoridades de várias regiões do sacro Império
Romano-Germânico pressionadas pela população e pelos luteranos, expulsavam
e até assassinavam sacerdotes católicos das igrejas, substituindo-os por
religiosos com formação luterana.
Toda essa rebelião ideológica
resultou também em rebeliões armadas, com destaque para a Guerra dos
Camponeses (1524-1525). Esta guerra foi de muitas maneiras, uma resposta
aos discursos de Lutero e de outros reformadores. Revoltas de camponeses já
tinham existido em pequena escala em Flandres (1321-1323), na
França (1358), na Inglaterra (1381-1388), durante as guerras
hussitas do século XV, e muitas outras até o XVIII. A revolta foi
incitada principalmente pelo seguidor de Lutero, Thomas Munzer, que
comandou massas camponesas contra a nobreza imperial, pois propunha uma
sociedade sem diferenças entre ricos e pobres e sem propriedade
privada, Lutero por sua vez defendia que a existência de "senhores
e servos" era vontade divina, motivo pelo qual eles
romperam, sendo que Lutero condenou Münzer e essa revolta.
Martinho Lutero aos 46 anos de
idade

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